Agronegócio

Tendência ou oportunidade? O que investigar antes de investir em uma nova frente no agro

  • Conteúdo por Rafaela Dias
  • Publicado em 27 de julho
  • Tempo de leitura 5 min
Tendência ou oportunidade? O que investigar antes de investir em uma nova frente no agro

O agronegócio brasileiro vive um momento de transformação acelerada. Novas tecnologias, novos modelos de negócio e novos comportamentos de compra surgem com frequência.

Com eles, uma pressão crescente para que empresas do setor se movam. Mover-se rápido e mover-se certo, porém, são coisas diferentes.

Toda semana aparece uma nova tendência no agro. Digitalização da cadeia, produtos biológicos, rastreabilidade, práticas de baixo carbono, experiência do produtor, novos canais de venda. Algumas dessas tendências virão ao mercado. Outras gerarão conexões, barulho e investimento. E sumirão (sem deixar resultado).

A diferença entre uma tendência e uma oportunidade real não está no tamanho do buzz, mas nas respostas que você consegue dar antes de investir.

Tendência não é sinônimo de oportunidade

Tendência é um movimento.
Oportunidade é uma janela.

E ela só existe quando encontra aderência ao seu negócio, ao seu público e ao seu momento.

Empresas que confundem um e outro costumam cometer o mesmo erro: alocam verba, tempo e foco em uma frente que o mercado ainda não está pronto para absorver.

Ou que não faz sentido para o perfil de cliente que elas atendem.

O problema não é a tendência em si.

É a ausência de investigação antes da decisão.

De estratégia de negócio.

As perguntas que precisam ser respondidas antes de avançar

Antes de lançar um novo produto, reposicionar uma solução ou digitalizar uma frente de negócio no agro, existem algumas perguntas fundamentais que precisam ser respondidas — e que dificilmente os dados quantitativos respondem sozinhos.

1. Existe demanda real ou só curiosidade?

Interesse não é demanda. O produtor pode achar o tema relevante sem estar disposto a pagar por ele, mudar de fornecedor ou alterar sua rotina.

A pergunta certa não é “as pessoas acham isso importante?”. É “as pessoas estão dispostas a agir por causa disso?”.

2. O mercado está maduro o suficiente?

Algumas oportunidades existem, mas são precoces.

A maturidade de mercado envolve infraestrutura, educação do público, disponibilidade de canais e capacidade de execução.

Entrar cedo demais numa aposta tem um custo alto.

3. Quem compra consegue entender o valor?

No agro, a percepção de valor é construída de forma muito concreta.

O produtor precisa entender o que vai ganhar. Em produtividade, em custo, em risco reduzido. Se a proposta de valor não é clara para quem compra, a tendência não vira venda.

4. Quem vende consegue defender?

Uma solução só chega ao mercado se o canal consegue comunicá-la com confiança.

Revendas, distribuidores, consultores técnicos. Todos precisam entender e acreditar no que estão oferecendo. Se a cadeia de venda não se sustenta, a oportunidade trava antes de chegar ao produtor.

5. A operação sustenta a entrega?

Lançar sem capacidade de entregar gera um problema pior do que não lançar.

Antes de avançar, é preciso avaliar se a estrutura interna (time, processo, parceiros etc) consegue sustentar a promessa feita ao mercado.

Por que o dado quantitativo não resolve sozinho

Pesquisas de mercado tradicionais mostram tamanho, penetração e intenção de compra. São dados importantes, mas insuficientes para responder às perguntas anteriores.
O que move uma decisão de compra no agro raramente está em um questionário fechado. Está na conversa com o produtor. No que ele diz nas entrelinhas.

Na forma como ele descreve o problema que tem. E que, muitas vezes, não é o problema que a empresa imagina estar resolvendo.

É aí que a pesquisa qualitativa entra. Não para substituir o dado, mas para dar profundidade ao que ele não consegue capturar: comportamento, percepção, contexto e motivação real.

A Fibo, consultoria de design estratégico da Criah especializada no agronegócio, conduz esse tipo de investigação com produtores, canais e times internos para que empresas do setor tomem decisões com mais inteligência e menos desperdício.

Mas entender o porquê é só o primeiro passo.

Toda empresa tem essa mesma dor: sabe que precisa conhecer melhor o seu mercado e o seu cliente, mas nem sempre sabe o que fazer com o que descobre. A pesquisa vira relatório, o relatório vira arquivo, e a decisão continua sem direção clara.

É por isso que a Fibo vai além da pesquisa. A partir do que o campo revela, desenvolvemos o direcionamento estratégico, ajudamos a construir a solução, acompanhamos a implementação e mensuramos o resultado ao longo do caminho para que a descoberta se transforme em decisão, e a decisão em resultado prático.

Investigar antes de investir não é cautela. É estratégia.
O mercado do agro recompensa quem chega preparado. Não necessariamente quem chega primeiro.

Antes de alocar verba em uma nova frente, vale perguntar: você está perseguindo uma tendência ou construindo uma oportunidade real?

A diferença entre as duas respostas pode definir o resultado dos próximos anos do seu negócio.

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